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Do futuro o que fazer


Foram tantos os momentos. Foi tanta a vida vivida, que fico perdida do futuro a saber. Tantas as decisões tomadas, rumos contrários e adversos, que me transformaram em quem hoje eu sou. E fico a pensar: o que mais vem pela frente? “A vida não pára”. Será que agora estou preparada para construir, ou ainda tenho que me construir? Quem hoje sou vai ser, ou a transformação ainda andará a meu paralelo?

Foram tantas pessoas, algumas que nenhuma notícia tenho mais, mas que deixaram marcas, não só em momentos, mas eternizadas em meu caráter. Especiais todas elas foram, até as que trouxeram ares desagradáveis, mas novamente penso: sem elas eu não seria quem hoje sou.

A vida surpreende e a surpresa é a vida. Olho para os lados e imagino se os que comigo estão permanecerão. Ando meus passos e penso quais caminhos mais eles percorrerão. Como saber? Não há como. Como descansar? Confiar. O meu futuro a Deus pertencerá.

Versos de um olhar (2)

Quando olhas para mim
Contorna o molejo de se a-chegar
Vejo o que sentes em ti
Esconderijo solto pelo ar

Nos teus passos me descompasso
Na tua nota desafino
Por me conter em teu braço
Logo acordo aturdindo

Uma aliança que não se quebra
Não se enxerga o seu começo
Cumpre a volta que se espera
O seu fim não reconheço

Que valor tem?

Que valor tem
alguém
Que se admite competir
Por um amor, uma paixão

Que valor tem
alguém
Que aceita negociar
O valor de sua emoção

Versos de um olhar


Na curva do teu olhar
Que distante percebi
Procurei me encontrar
Mas eu não estava ali

Ana Bela Borboleta (parte 1)

Todos as tardes Ana Bela observava seu jardim pela janela de seu quarto. Para uma garota de nove anos, existiam atividades mais dinâmicas, mas essa era uma das muitas características que a diferenciavam das demais crianças. Nas suas observações, percebeu uma borboleta, bem peculiar, pois ela sempre vinha no mesmo horário, no finzinho da tarde, quando a luz do sol se transforma em riscos alaranjados sob as nuvens.

A borboleta tinha a cor azul macio, que se transformava em verde vivo, até chegar o rosa saboroso, com bordas delineadas no tom preto sombrio. Nas asas haviam pequenos riscos também, mas, pela distância, Ana Bela não conseguia decifrá-los. A visitante trazia consigo um ar de serenidade e mistério, e espevitada como era, já não agüentava mais desconhecer de onde vinha e pra onde ia aquele par de asas coloridos. Então, como uma idéia súbita, a garotinha resolveu aguardar a visita da borboleta no jardim.

Lá veio ela, no horário de costume, sobrevoando o jardim e logo seguindo viagem. Neste momento Ana começou a seguir sua curiosidade, percebeu que estava se direcionando para o quintal de sua casa, até então limite de passeio. Sua mãe havia lhe orientado não avançar a fronteira do seu quintal com descampado além, mas nada disso lembrou, apenas pensava em não perder de vista o vôo da borboleta.

Seguindo e caminhando, já tinha passado o descampado e agora seguia uma trilha em que a mata crescia ao poucos, verticalmente, e quanto mais altas ficavam as árvores, mais fechada tornava-se a trilha. E a borboleta prosseguia adiante a voar. Os raios solares já não eram mais vistos, só se percebia as sombras dos braços arvorais, e de tão silencioso o local, até as batidas frágeis das asas da borboleta eram ouvidas. Quando de súbito a trilha é interrompida para dar lugar a um imenso pomar.

[irá continuar...]

Pó de amor

Quero pó de pir-lim-pim-pim
Quero ter você pra mim
Se você disser que sim
Vou avançar até o fim

Nenhum esforço será em vão
Apenas quero a sua mão
Vamos fugir da solidão
No trem da sorte, amplo vagão

Agora, o que você me diz?
Diga o que te faz feliz
Descubra o amor, das folhas à raiz

Vamos além dos planos da mente
Me responda sinceramente
Se esse amor será pra sempre

Autoria: Daísa Alves
Colaboração: Nadxi e Luiz