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Recordar e esquecer



Se eu me lembro de você, certamente também se lembras de mim. Mas onde estarei para me recordares? Talvez em sua boca, ao proferir palavras e no meio delas estaria o meu nome ou ao sentir novamente o doce repentino beijo que ao fechar os olhos podes reviver com suas emoções e indagações. Estaria eu então em seus olhos? Que por vezes me acompanhavam secretamente e transmitiam palavras que sua boca sentia-se impossibilitada de proferir e que em efeito se embaralhavam na mente entre encontros e desencontros. Logo, é certo que estaria na sua mente, onde vagam as lembranças procurando um porto aonde ancorar. Por lá embarcaram momentos, palavras entendidas, olhares decifrados, emoções preservadas. E se houve sentimento, estaria eu no coração? Aquele que já foi chamado de centro de todas as motivações humanas, pois suas batidas contabilizam o nível de afeto, e ele disparou muitas vezes enquanto pulsava junto ao meu. Mas se ainda aí não estiver, me satisfaço em saber que estou em seu esquecimento, na rotina hoje não presente, mas as lembranças testificam que existi.

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