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Ana Bela Borboleta (parte 1)

Todos as tardes Ana Bela observava seu jardim pela janela de seu quarto. Para uma garota de nove anos, existiam atividades mais dinâmicas, mas essa era uma das muitas características que a diferenciavam das demais crianças. Nas suas observações, percebeu uma borboleta, bem peculiar, pois ela sempre vinha no mesmo horário, no finzinho da tarde, quando a luz do sol se transforma em riscos alaranjados sob as nuvens.

A borboleta tinha a cor azul macio, que se transformava em verde vivo, até chegar o rosa saboroso, com bordas delineadas no tom preto sombrio. Nas asas haviam pequenos riscos também, mas, pela distância, Ana Bela não conseguia decifrá-los. A visitante trazia consigo um ar de serenidade e mistério, e espevitada como era, já não agüentava mais desconhecer de onde vinha e pra onde ia aquele par de asas coloridos. Então, como uma idéia súbita, a garotinha resolveu aguardar a visita da borboleta no jardim.

Lá veio ela, no horário de costume, sobrevoando o jardim e logo seguindo viagem. Neste momento Ana começou a seguir sua curiosidade, percebeu que estava se direcionando para o quintal de sua casa, até então limite de passeio. Sua mãe havia lhe orientado não avançar a fronteira do seu quintal com descampado além, mas nada disso lembrou, apenas pensava em não perder de vista o vôo da borboleta.

Seguindo e caminhando, já tinha passado o descampado e agora seguia uma trilha em que a mata crescia ao poucos, verticalmente, e quanto mais altas ficavam as árvores, mais fechada tornava-se a trilha. E a borboleta prosseguia adiante a voar. Os raios solares já não eram mais vistos, só se percebia as sombras dos braços arvorais, e de tão silencioso o local, até as batidas frágeis das asas da borboleta eram ouvidas. Quando de súbito a trilha é interrompida para dar lugar a um imenso pomar.

[irá continuar...]

Pó de amor

Quero pó de pir-lim-pim-pim
Quero ter você pra mim
Se você disser que sim
Vou avançar até o fim

Nenhum esforço será em vão
Apenas quero a sua mão
Vamos fugir da solidão
No trem da sorte, amplo vagão

Agora, o que você me diz?
Diga o que te faz feliz
Descubra o amor, das folhas à raiz

Vamos além dos planos da mente
Me responda sinceramente
Se esse amor será pra sempre

Autoria: Daísa Alves
Colaboração: Nadxi e Luiz

Luís Augusto?

Uma bela manhã de sol na cidade de Natal é perfeita para diversas atividades, a minha escolhida foi ir à praia. Enquanto eu repousava sobre a cadeira de sol, tomava uma água de côco e observava os constantes ambulantes que desfilavam beira-mar.

Em seus diferentes e notáveis estilos e artigos, já fazem parte do visual da praia. Em todo o momento eles chegavam até mim, com sorrisos de quem quer ganhar a simpatia e sempre valorizando seus produtos. Até que um deles se destacou. Simplesmente sentou ao meu lado, se apresentou como Luís Augusto e perguntou o meu nome, ao responder sua questão, houve uma abertura para uma conversa.

Neste momento pensei: com quem eu estou falando? Elogiando meu sorriso, quis saber se eu era da cidade ou estava turistando. Revelei que era potiguar sim, ele então disse que era baiano e eu o fazia lembrar as mulheres de sua terra.

O Luís era alto, negro, com sorriso que se destacava em sua cor, estava com aparência de um maltrapilho, cabelos e barba por fazer, roupas folgadas e com aspecto de sujas. Contou que tinha uma grande curiosidade pela cidade do Natal, então um dia resolveu vir com sua esposa. A venda de suas esculturas em argila sempre foi sua principal fonte de renda. Questionei se não era muito pouco para o sustento de um casal. Ele respondeu que isso não era preocupação, pois seria suficiente para as suas necessidades básicas e por vezes quando queria algo específico (roupa nova, viagem...) ele trabalhava dobrado e assim conseguia.

Com a bola da vez falei um pouco sobre mim, disse que estava na praia em busca de descanso e um bronze, era estudante de jornalismo e atualmente esta minha única atividade. Neste momento me lembrei de ver à hora, já passavam do meio-dia, já era tarde. Agradeci a conversa, ele fez o mesmo, “tomara que nos vejamos mais vezes aqui na praia” relatou seu desejo o Luís.

Pela noite, ao passar pelo Shopping, vi saindo para o estacionamento um homem bem familiar; ele estava de terno, cabelos um pouco grandes, mas estavam presos e bem arrumados, barba bem feita... Sim, era o Luís que pela manhã tinha conhecido. Ele entrou numa BMW e se foi. Então concluí que apesar de tanta conversa eu continuava sem saber com quem eu estava falando.

Guardando a vida.



Hoje enquanto arrumava meu guarda-roupa ordenava não só roupas, mas pensamentos que estavam desorganizados. Selecionei também roupas que não cabiam ou simplesmente não gostava mais, retirei sentimentos que guardava e que não me traziam benefício ou apenas não eram bem recebidos, não os mereciam. Determinei novos lugares para alguns dos objetos, novas atitudes em meio ao cotidiano. Não coloquei nada de novo, apenas espero que continue organizado.

Primeira experiência de um Foca


Numa conversa cotidiana surge um convite de pauta, um evento interessante, tem seu valor-notícia. Mas existe uma grande barreira, a prova de português. E agora? A primeira prova do curso ou a oportunidade de uma boa matéria? Bem... decisão mais que difícil, dificílima. Pensando bem, me esforcei para entrar no curso e tenho que prezar por bem executá-lo, surgirão novas oportunidades e novas pautas. Vamos à prova! O quê? Não vai ter prova? A professora mandou avisar que está doente? Opa... (Sem comemoração em respeito à enfermidade da profª.) Vamos ao evento! Onde é mesmo? Perto de algum lugar por ali, ah, já sei então! O ônibus não passa, lá vem uma van, lotada, mas vamo simbora. Aproveitarei este tempo para preparar a pauta: O que perguntar, a quem perguntar, o que observar, como anotar... Será que vou saber fazer isto? Quase chegando! Motorista sabe onde é? Não. Cobrador? Não. Ta ok, primeira missão: descobrir o local. Pergunta daqui, pergunta dali e depois de uma considerável caminhada, enfim o achei. Próxima missão: encontrar o contato e saber se tenho permissão para cobrir o evento. Um alvoroço tremendo no local, evento festivo. Contato localizado, permissões concedidas, tratamento vip. Meu Deus o que estou fazendo aqui? Me tratam como uma jornalista, sou apenas um foca!! Se já estou aqui, borá trabalhar. Cobertura de fotos, depoimentos de participantes, entrevista com a gerente da instituição. Apuração feita, é hora de ir pra casa e colocar tudo no papel, quer dizer, na tela. Na volta o primeiro sentimento de trabalho realizado, sem maiores descrições, apenas uma observação: é muito bom! Cheguei em casa. Um breve descanso e mais trabalho. Mais de 3h horas em frente ao computador, pesquisa de opiniões sobre o texto e escolha de fotos, são as ultimas ações do dia junto à matéria. Na tarde seguinte, revisão de texto e seleção de fotos para a galeria. A matéria vai ser publicada. O resultado final? Ainda estou esperando.

August Rush - Som do Coração


Nesta semana aceitei o conselho de um amigo e assisti ao filme de título brasileiro Som do Coração. Fiquei impressionada e não me contenho em dizer que foi um dos melhores filmes que ja pude ver, estou até agora extasiada com ele.

Fugindo dos cansativos suspenses policiais e dos clichês românticos, o filme concentra-se na consequência do encontro de duas pessoas e em suas decisões. Eu poderia fazer uma sinopse do filme, ou comentários sobre as atuações, mas resolvi neste momento falar sobre o que o filme fala para mim.

Em principio o filme me mostra sobre o poder das decisões, são elas que movem nossas vidas e muitas vezes até mesmo decisões de pessoas que não conhecemos e nunca vamos conhecer nos tranformam. O casal principal, os pais de August se encontravam perdidos em suas decisões e a atitude mais certa e duvidosa que tiveram quando se encontraram trouxe à formação a vida de uma criança, e novamente esbarrando na tal de decisão, agora do pai de Lyla (mãe de August) que entrega o bebê ao orfanato, transformando a vida de pais e filho. Me emociona intensamente ver a fé que ao crescer August teve na música, seu dom, e no poder que isto lhe dava para encontrar seus pais. A certeza de que era querido e o estavam esperando, a fé. Fé na vida, fé no mundo... fé na música. e a tedência para talentos, são hereditários, já que os pais do garoto são musicos e ele desenvolve-se nesta área como um prodígio.

Enfim, é um filme que de tão mágico poderia ter acontecido em Nárnia, sua trilha sonora nos envolve em emoções como n'A Missão e nos fazem querer assistir pelo menos mais vezes do que vimos Titanic. [risos]i

Recordar e esquecer



Se eu me lembro de você, certamente também se lembras de mim. Mas onde estarei para me recordares? Talvez em sua boca, ao proferir palavras e no meio delas estaria o meu nome ou ao sentir novamente o doce repentino beijo que ao fechar os olhos podes reviver com suas emoções e indagações. Estaria eu então em seus olhos? Que por vezes me acompanhavam secretamente e transmitiam palavras que sua boca sentia-se impossibilitada de proferir e que em efeito se embaralhavam na mente entre encontros e desencontros. Logo, é certo que estaria na sua mente, onde vagam as lembranças procurando um porto aonde ancorar. Por lá embarcaram momentos, palavras entendidas, olhares decifrados, emoções preservadas. E se houve sentimento, estaria eu no coração? Aquele que já foi chamado de centro de todas as motivações humanas, pois suas batidas contabilizam o nível de afeto, e ele disparou muitas vezes enquanto pulsava junto ao meu. Mas se ainda aí não estiver, me satisfaço em saber que estou em seu esquecimento, na rotina hoje não presente, mas as lembranças testificam que existi.
O amor é racional, quem perde a cabeça é a paixão.